Há trinta anos, todos queriam fazer carreira. Hoje, valoriza-se uma experiência de vida no trabalho que leve à realização pessoal e que faça sentido.

Patrick Lebrun, diretor geral adjunto da VINCI Energies no mundo analisa a evolução de competências e profissões, mas também as novas expectativas dos jovens talentos e a forma como as empresas devem se adaptar.

Na sua opinião, quais são as novas profissões, as novas competências e perfis que emergem?

Patrick Lebrun. Metade das profissões que existirão em dez anos não existem hoje! O que emerge e se afirma é o setor relacionado à realidade aumentada, à realidade virtual, ao armazenamento de energia, aos algoritmos cada vez mais complexos, à inteligência artificial, à valorização dos dados ou ainda ao tratamento de imagens ou à geolocalização… E isso diz respeito a todos os ramos na VINCI Energies: a indústria, que chamamos 4.0, cada vez mais digital, as infraestruturas de energia e de transporte com as smart grids, os edifícios, a mobilidade, a cidade…

Como qualificaria o mercado de trabalho nos principais países onde opera o grupo VINCI Energies?

Todos os mercados são altamente competitivos. Por um lado, a situação econômica geral melhora praticamente em toda parte, o que é uma excelente notícia. Por outro, nossos mercados são promissores a longo prazo, nas vertentes de transformação e aceleração.

No rol das expectativas dos jovens que acabam de se formar hoje em dia, a remuneração não é mais a única variável…

É verdade. O ambiente, a qualidade de vida no trabalho, o conteúdo e interesse dos postos, os valores, a gestão, o desenvolvimento pessoal, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional também contam. Há trinta anos, todos queriam fazer carreira. Hoje, procura-se uma experiência de vida no trabalho que leve à realização pessoal e que faça sentido. Tudo isso é fundamental, e não somente para os jovens. Por outro lado, também não se pode esquecer os salários. Se me permite uma expressão, “importa tanto quanto”.

Neste sentido, o que mudou concretamente na VINCI Energies?

Investimos muito nas ferramentas de trabalho, nos locais, no desenvolvimento de competências de nossos colaboradores, bem como na gestão de nossas empresas, cuja pedra angular é o que chamamos de “projeto estratégico compartilhado”. A gestão puramente vertical não faz mais sentido, os novos talentos procuram uma forma mais participativa e colaborativa de trabalhar. Nosso modelo de empresas em escala humana e conectadas em rede é bastante propício à realização do modelo de liderança do século 21. Trabalhar com essa perspectiva significa formular uma oferta de contratação atrativa mas, repito, também cumprir com uma promessa: propor percursos profissionais que façam sentido, motivadores e gratificantes a longo prazo.

Que lugar as mulheres ocupam hoje na VINCI Energies?

Um lugar ainda pequeno demais (13% do total )! Feminizar nossas equipes é um desafio fundamental, afinal as mulheres representam a metade da humanidade e, logo, são muitos talentos que seria absurdo negligenciar. Além disso, nossos clientes e parceiros progridem neste sentido e não seguir a mesma tendência nos levaria a nos distanciar deles. Enfim, não há dúvidas que o bom equilíbrio entre homens e mulheres tem consequências positivas na criatividade, crescimento e desempenho das empresas, na qualidade de vida das equipes, na capacidade em superar crises e na responsabilidade social.

Na sua política de contratação, quão importante são as competências comportamentais, as “soft skills”, em relação às competências puramente técnicas?

As competências comportamentais são essenciais, sobretudo em atividades de serviço nas quais se trabalha em equipe, em projetos. Escuta, generosidade, solidariedade contribuem para o desenvolvimento da inteligência coletiva. Hoje, ninguém mais ganha graças a geniozinhos hiper individualistas… A última campanha para contratações da VINCI Energies baseou-se justamente nos “soft skills”, incitando todos aqueles que são “ambiciosos demais”, “audaciosos demais”, “criativos demais”, “curiosos demais” e “generosos demais” a se candidatarem.

Mais uma vez, é o “ao mesmo tempo” que conta! Num grupo como VINCI Energies, que embarca muitas tecnologias em todas as suas ofertas e que segue as tendências de aceleração e transformação, também precisamos de talentos altamente qualificados do ponto de vista técnico.

Justamente, as tecnologias, competências, profissões, mercados, evoluem sem cessar e cada vez mais rápido. Como integrar essa dimensão na administração de uma empresa?

A palavra chave é “agilidade” e ela se refere à organização da VINCI Energies. Somos um grupo que reúne 77.500 colaboradores com faturamento que ultrapassa em muito 10 bilhões de euros, mas nossa marca registrada, uma das alavancas do nosso sucesso, é o fato de termos mantido uma estrutura peculiar: somos uma esquadra de pequenas embarcações e não um enorme porta-aviões. Nossas empresas são autônomas, em escala humana, flexíveis, reativas, ágeis e muito próximas de nossos clientes.

Aí está a chave do sucesso, como ela também se encontra na aceleração dos processos de inovação, na integração de novas formas de trabalho e de gestão, na relação com os fornecedores que também inovam muito.

Outro elemento fundamental é o desenvolvimento de competências, nosso esforço na área da formação continuada. Ele nunca foi tão importante, e teremos que intensificá-lo ainda mais com a ajuda de todas as novas formas de aprendizado que surgem. Uma das condições essenciais do sucesso no futuro é fazer com que nossas empresas sejam empresas de aprendizado, onde cada colaborador aprenda e assimile permanentemente novas competências, inclusive em seu próprio trabalho diário.

Concluindo…

Ao longo da história da VINCI Energies, a inovação ajudou a impulsionar a expansão de nossas unidades de negócios. A inovação é um fator muito importante para tornar nossas soluções e serviços mais atraentes e nos tornar mais competitivos. Em um mundo que está mudando a um ritmo cada vez mais acelerado, a inovação, mais do que nunca, constitui uma grande oportunidade. Para aproveitar ao máximo, precisamos desenvolver constantemente as habilidades de nossas equipes e ajudá-las a adquirir novas habilidades.

Devemos, portanto, fazer um esforço sem precedentes para treinar nossos colaboradores e recrutar pessoas que tenham as habilidades que serão necessárias no futuro e uma grande capacidade de mudança. Ao continuar a trazer jovens para as nossas unidades de negócios e incluir mais mulheres em nossas equipes, vamos enfrentar os desafios da criatividade, inovação e novas habilidades e atividades de negócios, e teremos mais sucesso no amanhã.

 

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